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Os meus "pequenos": Contar o tempo

por esquisita, em 11.08.21

Não conto os dias, mas aproveitei umas horas livres e resolvi ir visitar o Dr. Simão. Ia, confiada na memória de uma outra consulta, já antiga, que me tinha sido agradável, e que recomendo, se alguém me pedir recomendação. Procurava, desta vez, entrevista curta, mais pelo prazer da companhia do que para aprofundar assunto delicado.

Eu bem sabia que, o ilustre médico, se tinha encerrado para estudo do seu próprio caso. Não queria, de modo nenhum, incomodar, até porque, ao que dizem, foi sem alcançar resposta satisfatória que acabou por falecer. Isso mesmo, fechou a porta e dezassete meses depois… 

Foi por esta altura, a um par de frases de terminar o nosso encontro, que as ideias começaram a transviar. Dezassete meses!? Mas não foi precisamente há dezassete meses que...

Tenha paciência, Sr. Doutor! Encerra portas, abre portas, todos dentro, tudo para fora, mas com calma, que alguns têm mesmo que ficar. Tornamos ao mesmo e no oposto vê remédio, acaba por esvaziar a casa onde todos cabem para a descobrir construída por si e unicamente a si destinada! Parece-me razoável, mas deixar-se morrer ao fim de, precisamente, dezassete meses… é coisa de loucos!

Se pensa que, por uma infeliz coincidência, me apanha a falar da… Só me apetece dizer asneiras!

Bem, adiante que ainda não é desta que vou conseguir escrever alguma coisa em condições e este "pequeno" bem o merecia! Parece que o relógio da memória me atraiçoou e fui acordada pelo alarme dos pormenores.

Eu, que nem sou de contar o tempo.

Volto noutro dia!

 

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O que fica

por esquisita, em 10.05.21

Não tenho por hábito tomar notas dos livros que leio. O que fica da leitura é, inicialmente, uma ideia clara e intensa que, com o tempo, se vai tornando mais difusa e muitas vezes acaba mesmo por se afastar da referência que lhe deu origem. É um processo que não controlo mas que reconheço como sendo um dos motivos pelo qual me agrada tanto ler.

Não sei bem como se formou, só sei que não está perdido. A verdade é que, com frequência, me surpreendo com o que fica registado na memória.

Guardei este como um recado, uma espécie de receita para uma experiência que gostaria de viver no futuro. Tem um caráter prático e serve para descobrir o que está por baixo da tinta. Passados cerca de trinta anos, vem de uma época em que a tinta nunca me tinha passado pela cabeça mas em que já começava a aceitar que todas as coisas têm o seu tempo. O tempo para a usar haveria de chegar. É assim:

Despejar o líquido pelo ralo da pia abaixo, fazendo desaparecer a tinta*.  Não é altura para buscar motivos que justiquem os resultados

Espreitar, pelo canto do olho, entre a inveja e a irritação, para cabeças que já lá chegaram. No branco e no vento, procurar o tom da tranquilidade

Fazer conviver a dúvida e a determinação, a urgência da revelação e a esperança que nada tenha mudado

Passar pela angústia de deixar a descoberto aquilo que há muito está à vista de todos e acabar por descobrir a quem importa.

No final só restará o espelho

Suspeito que, para obter resultados verdadeiramente satisfatórios, é necessário começar por descobrir a coragem de acrescentar um NÃO e reescrever a história. Para esse efeito, que até pode ser a causa, a fórmula deve ser mais complexa. Não guardei.

Agradeço-lhe, Sr. Raimundo. Como vê o não o esqueci, mas parece ainda ter mais para me contar, terei que voltar a visitá-lo.

Até lá, não me resigno.

 

* Será preferível utilizar um método mais ecológico

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