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Não me provoques!

por esquisita, em 27.11.22

 

… adivinha onde estou? Estou sem vontade de supor paradeiro incerto, em terra capital… Bem sei onde estás! … para mais, convém-me transparecer amuo por não poder ir a par (amuaaaar faz bem, como na canção)… Diz, se quiseres! Só depois me apercebo, que rigor das coordenadas é para consolo do meu despeito (mas não demores)… Na Igreja! Sabe como me desamarrar o burro, ainda assim muar que se preze, empanca … Então, procura Helsínquia, se existir! (pura pirraça) O mesmo que pedir desforra por ter ficado em terra. A menos que a peste lhe tenha fechado as portas, ou as modas lhe tenham mudado o nome, Helsínquia tem resistido sempre. Ouço os passos em busca… No gaveto do primeiro quarteirão, lado esquerdo!… a ofegar avenida acima, ainda me fala de Itália, para distrair com a cassata, mas estou virada aos lanches. Na esplanda senhoras de cabelo armado, blusas de seda e grandes óculos de sol, a bebericar limonada, enquanto abanicam discretamente os calores da época e da meia idade, fazem esvoaçar vaporosa conversa perfumada (onde é que eu já li isto?). Querida avó, tão cordial e elegante nas suas tardes de verão… por fim Está no sítio de sempre, mais moderna, para que saibas!  E sei também que do outro lado, PA tem outro figurino, já não é Princesa. Resisto ao abuso de pedir confirmação, até porque, hora e mesa estão marcadas… Divirtam-se! … e as minhas pernitas magras, cansadas de balançar ao ritmo da prosa miúda de gente grande, num impulso me fazem saltar da cadeira, com rumo certo à Epifânio. Não sei ler placas de toponímia, nem coisa nenhuma. Ainda não. Hei-de orientar a memória como os pombos, pelas referências. A calçada diária, a igreja dominical, a curva, o declive, o trânsito muito e as pessoas muito mais, vão diminuindo como num funil até às escadas (não desço já) procuro a janela, quadrado que sempre me pareceu pequeno para iluminar a sala. Lá estou eu, final da tarde, à espera que me leve… Aonde?...ali adiante, a casa do tio… Mas qual tio?... Marcelo, diz meu pai. Querido avô, militarmente recto, paternalmente escandalizado… O teu pai fala de mais! (fala o que pensa e nada mais, pensei)…docemente enternecido a recusar parentesco e visita (ponto final). Mergulho nas estacas, antes de entrar. Ainda aí estás?... Adiante os Estados Unidos, na outra margem, Guilhermina das manhãs de sexta-feira: Mise en plis, unhas, buço e sobrancelhas, café, rissóis e croquetes… Estou cansada, volto outro dia…

 

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Voar

por esquisita, em 02.06.22

 

Não conheço nada que se aproxime mais da sensação de voar, que saltar de um baloiço a alta velocidade.
Sorrateira, saio pé ante pé. Há que aproveitar as ocasiões, que os baloiços são só dois e a procura é muita.
Ora vamos lá levantar voo. Motor a trabalhar, que é como quem diz, coração a bater forte e um, dois, três… pelo imenso céu fora, feliz e livre, sem asas nem avião.
Haverá coisa melhor?
Não sei nem conheço.
As aterragens é que são mais complicadas, mas nada que não se resolva. Basta levantar a cabeça e… uma impressão na nuca, umas estrelinhas a piscar, apaga-se a luz.
Torna-se a fazer dia, lá para o lado do hospital, ao som de um muito intrigado:
"Minha senhora, tem a certeza que foi um baloiço? São 7h da manhã e a menina está descalça e em pijama!"

Esta memória foi redigida pela Provecta Rainha da Escrita Esquisita, em resposta ao desafio do Valente Cavaleiro Dom Marco del Merlo

 

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Casamos hoje?

por esquisita, em 03.02.22

 

Atrasada,

corro ao quarto,

que já se está a vestir!

Pronta e vaidosa, 

não bato nem peço,

entro para me mostrar

bonita, 

ao mais bonito que já vi

Rodo as flores do vestido

e as da jarra também,

da cortina faço véu...

O que me havia de lembrar!

Casamos hoje? Casamos hoje?

Sorriso branco camisa,

elegante fato novo, diz

hoje não, 

mais tarde quando crescer

Subo e cresço em cima da cama,

salto e pulo no colchão

Já sou grande, sou crescida,

está tomada a decisão

Casamos hoje, que é domingo!

Pendurada no pescoço,

nó de gravata diz 

hoje não,

Faço cara de desgosto

Desculpas de quem não me quer!

Finjo o coração quebrado

pelo noivo que não quer ser

Quero eu! 

Quero, e quero, porque quero!

Menina, tenha juízo!

Mas não se chega a zangar

Dança comigo em volteios,

voamos juntos pelo ar 

Abraço apertado, beijinhos...

Não quero pousar os pés no chão!

 

 

 

 

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