Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


Querer e não querer

por esquisita, em 19.11.25

 

Reconheço ter ido longe demais.

Por várias vezes amaldiçoei o rato, persegui-o sem descanso, e acabei por fazer queixa dele à higiene e segurança.

Vieram inteirar-se da ocorrência, perguntaram-me se tinha medo, tive de responder que medo não tinha, quiseram saber se era nojo e nem isso fui capaz de afirmar de forma convicta. Quero, muito simplesmente, o rato fora daqui, já e agora!

De todos obtive grande compreensão, muito embora me tenham criticado o hábito de deixar sempre a porta aberta e apontarem para esse facto, que não posso desmentir, como sendo o motivo para se ter instalado a ratice no meu escritório.

Chamaram de imediato os especialistas, mas entretanto já se tinha espalhado a novidade e ao rato começaram a chamar-lhe meu: o meu rato a passar rente aos pés e a desaparecer por detrás do arquivo, o meu rato a aparecer por baixo do armário, onde um dia confundi uma cobra rateira com uma corrente de 2”, o meu rato a não se deixar ver, mas a tamborilar com as patinhas do outro lado da secretária, o meu rato a deixar caganitas em cima do router. 

O meu rato, que a bem dizer era só um tramelo que nem para uma sandes chegava, a fazer-me passar os limites da paciência, e a tornar-me autoritária, a fazer exigências absurdas, e a acusar tudo e todos, para além do que é razoável. Enfim, uma semana nisto, e que se fod@ o rato, vamos mas é todos de fim-de-semana.

Na segunda, antes do escritório, faz-se a ronda para ver se está tudo em modo de funcionar. Não estava. 

Deixaram a tina do ácido lá fora, a tempestade encheu-a com água e o meu rato boiava lá dentro. Sei que era ele. Mesmo sem pelo no focinho e todo inchado, sei que era ele. 

Acabou-se o rato.

Senti-me bastante culpada.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


6 comentários

Imagem de perfil

João-Afonso Machado a 19.11.2025

A história trágica de um pobre rato.
Eu tinha-o adoptado com a condição de não trazer o resto da família. 
Imagem de perfil

esquisita a 19.11.2025

Lamento o fim do rato, mas nunca tive a intenção do o adotar, até porque a questão de trazer, ou não, o resto da família é bastante polémica e ninguém merece viver só 
Uma boa tarde
Imagem de perfil

cheia a 19.11.2025

Foi a tempestade, que três pessoas, também, matou. Nem o seu rato escapou. O que muito atenua a sua culpa.
Noite tranquila.
Imagem de perfil

esquisita a 19.11.2025

Cada vez temos mais tempestades, para atenuar culpas 
Agradeço e desejo uma noite boa!
Imagem de perfil

Miguel Lucas a 20.11.2025

Tão bom de ler!
Também já estava a gostar do rato, mas o seu destino estava traçado.
Uma vez tive de matar um, confesso que me custou e ainda evito lembrar-me disso. Mas teve de ser...
Um bom dia!
Imagem de perfil

esquisita a 20.11.2025

Olá, Miguel! 
Os ratos inspiram-me sentimentos contraditórios. Embora não sinta especial repugnância, também não me atrai conviver com eles. O melhor (para os dois) era que nunca nos tivéssemos cruzado.
Agradeço a simpatia e desejo-te uma boa tarde

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D