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Reconheço ter ido longe demais.
Por várias vezes amaldiçoei o rato, persegui-o sem descanso, e acabei por fazer queixa dele à higiene e segurança.
Vieram inteirar-se da ocorrência, perguntaram-me se tinha medo, tive de responder que medo não tinha, quiseram saber se era nojo e nem isso fui capaz de afirmar de forma convicta. Quero, muito simplesmente, o rato fora daqui, já e agora!
De todos obtive grande compreensão, muito embora me tenham criticado o hábito de deixar sempre a porta aberta e apontarem para esse facto, que não posso desmentir, como sendo o motivo para se ter instalado a ratice no meu escritório.
Chamaram de imediato os especialistas, mas entretanto já se tinha espalhado a novidade e ao rato começaram a chamar-lhe meu: o meu rato a passar rente aos pés e a desaparecer por detrás do arquivo, o meu rato a aparecer por baixo do armário, onde um dia confundi uma cobra rateira com uma corrente de 2”, o meu rato a não se deixar ver, mas a tamborilar com as patinhas do outro lado da secretária, o meu rato a deixar caganitas em cima do router.
O meu rato, que a bem dizer era só um tramelo que nem para uma sandes chegava, a fazer-me passar os limites da paciência, e a tornar-me autoritária, a fazer exigências absurdas, e a acusar tudo e todos, para além do que é razoável. Enfim, uma semana nisto, e que se fod@ o rato, vamos mas é todos de fim-de-semana.
Na segunda, antes do escritório, faz-se a ronda para ver se está tudo em modo de funcionar. Não estava.
Deixaram a tina do ácido lá fora, a tempestade encheu-a com água e o meu rato boiava lá dentro. Sei que era ele. Mesmo sem pelo no focinho e todo inchado, sei que era ele.
Acabou-se o rato.
Senti-me bastante culpada.
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