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Olhar

por esquisita, em 08.07.22

 

Estou a olhar para os dedos dos pés. São dedos de menina. Pequenos e redondinhos, brancos, suavemente rosados ao redor das unhas, como gotas de água pura, em pálidos tons de rosa. Pousados ao fundo da cama, descansam de tanto correr pelo tecto. É um tecto sem idade. Grande e rectangular, branco, ligeiramente cinzento junto aos cantos, como espelho de água parada, em deslavados tons de cinza.
Estou a olhar para os dedos dos pés com os olhos de mulher que correu mundo no tecto do quarto, enquanto menina. Pergunto-lhes, quanto os marcou o isolamento, quanto lhes doeu a caminhada da cura?
Destes dedos dos pés de menina, eu mulher e o branco tecto, sabemos agora o que então sabíamos:
Querem tocar o chão das outras crianças e correr no mundo delas.

20220708_113847.jpg

 

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2 comentários

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Zé Varela a 08.07.2022

Trouxe-me à memória um tecto de quarto da minha meninice. Eram ripas de madeira quase em bruto. Quando estava doente, entretinha-me a ler desenhos nos nós da madeira. Obrigado.
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esquisita a 08.07.2022

Também já me deixei adormecer sob um desses tectos de ripas, ao som de uma máquina de costura! Outras memórias...
Agradeço e desejo uma boa tarde!

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