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O Ligório da drogaria tem a porta fechada, vai para um mês. Diz o papel, ENCERRADO POR MOTIVO DE DOENÇA…
Não lhe vou dizer, como se ouve cada vez que acontece uma desgraça, que com esta idade não tenho lembrança de uma coisa assim. Também não estamos a falar das cheias ou dos incêndios, pois não? Ou será que estamos? Nem lhe vou repetir que não há palavras para descrever. Palavras há-as sempre, podem é ficar acanhadas na garganta por não se acharem obscenas o suficiente para tamanha enormidade. Se fosse para lhe dizer que a humanidade está à beira do fim, já que o homem é o mais reles dos animais à face da Terra, teria que ser outro bicho que não humano, e assistir do lado de fora à miséria humana. De maneira que não tenho outro remédio senão aceitar ser gente, fazer parte, ter voz e memória. Lembro, sim! E se uma vida inteira não chega, para alguma coisa deve servir essa coisa a que chamam a memória coletiva.
Não sei se me está a perceber, porque eu ainda não lhe disse coisa nenhuma.
… e acrescenta, CONTACTAR XXX XXX XXX. (Não divulgo o número, porque senão o homem não tinha sossego com tanto telefonema a desejar-lhe as melhoras)
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