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Estou a acabar, disse-lhe eu.
Há tanto que da minha boca não se ouvia sequer uma palavra e logo, sem ensaio, me saiu aquela frase. Coisa pequena, é certo, mas tão bem composta de sentido que só por má vontade se podia tomar como um delírio.
Encolheu os ombros.
Outros, para meu sossego, ou para seu conforto, me obrigariam à esperança. Que não pensasse nisso, que afastasse tais ideias, ainda tinha tempo. Sem maneira de acreditar nem vontade de fingir, pudesse eu dizer, Acabei! e ter data no calendário para findar.
Estou a acabar!
Não foi a outros que eu o disse, não a outros que o não pudessem ouvir.
Vamos!, e deu-me a mão.
Eu, queria e não queria. Ainda incerto de que percebia o longe onde íamos, tive medo. E se para me acompanhar se perdesse, se não conseguisse voltar? Receios que só pode ter quem ainda não se acabou.
Estou a acabar e vou dar cabo de ti!, tornei eu.
Sem dó nem piedade, riu-se de mim à descarada.
Piegas!
Puxou o cós da saia à cintura, aconchegou a gola da blusa ao pescoço.
Estou pronta! não disse.
E eu soube, não me larga da mão até que lhe peça
Agora, deixa-me ir!
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