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Insignificante

por esquisita, em 31.07.21

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Insignificante grão de areia, único e indistinto, absolutamente solto, mas sem ser livre. Rola e voa, mas só o sopro o fará duna, se a água não o levar. Nenhum outro toma o seu lugar porque não há sítio que lhe pertença e todo sítio é seu.

Tantas voltas dará, entre tantos e como todos, até ser pó. Depois do pó, nada, ou vento, ou mar ou tudo o que sempre foi.

Sabe-se mínimo e quer-se mínimo para ser imenso no areal, e só no areal é grande sem nunca ser o areal.

Quem sabe se não foi o grão de areia que gripou o rolamento, que encravou o mecanismo, que fez parar a máquina, que… Que me vai trocar as voltas. É melhor ir ver, antes que me estrague o fim de semana.

Insignificante grão de areia!

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Hora do almoço

por esquisita, em 23.07.21

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Se pudesse ser um pássaro, era um barquinho azul.

E se os barcos não puderem ser pássaros...

Se ser humano não pode, então,  não paga a pena ser!

Não me façam perguntas difíceis, que estou na hora do almoço!

E se os barcos não puderem ser pássaros, é melhor ser ou poder?...

 

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Fruto Raro

por esquisita, em 21.07.21

foto2+.JPGMal nos conhecíamos e já ela se ria do meu espanto.

Gargalhada sumarenta, que nada faz para se conter ao procurar sentir-me o gosto na provocação:

"Que sabes tu destes montes nesse tempo? Se a terra não as dava era luxo, sim senhora!"

Eu, nem sempre doce, não me deixo amargar pelo ouro da discórdia. Aceito o desafio nos frutos raros e reconheço o acerto nas escolhas.

É por isso que agora, nos podemos reunir no desfastio, gozando o sabor do mais honroso prémio, em dia de corridas, da mais carinhosa prenda, em noite de Natal:

A Laranja!

 

 

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Dia de raiva

por esquisita, em 14.07.21

IMG_20210714_134600.jpg

 

Há coisas que não se dizem e muito menos se podem escrever

 

Onde quer que ela esteja…

Onde quer que ela esteja…

Não me repitam: onde quer que ela esteja…

Eu sei onde ela está! Também lá estavam, também viram a terra na minha mão,

Como fui capaz?

Não me digam que foi cedo demais! Não existe tempo justo!

Não me falem de estrelas mais brilhantes, 

Já lá estavam ontem, são as mesmas, brilham indiferentes!

Não me convençam a guardar a vida na memória,

Já vi a vida dispensar a memória, no mais cruel existir sem ser.

Não me confortem o sofrimento com o sofrimento que conhecem...

Quero a dor, é minha! Não quero que nada nem ninguém a diminua!

 

Mas porque não me avisaram do desejo de escavar, de desenterrar, de desfazer o que está feito?

 

Porque não me explicaram a fúria de rasgar o céu e explodir constelações? 

 

Porque não me disseram da raiva de ter ficado para trás, num abandono injusto?

 

Sempre soube que a ousadia seria esmagada pela impotência, ainda assim, ousei. Não ouvi...

Agora ouço, claramente:

Nada podes!

 

Disse e escrevi

 

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A ti, que compreendes e perdoas

por esquisita, em 01.07.21

Recusei a dedicatória. Na verdade, quase implorei para que não o fizesse.

Sugeri, quando muito, uma menção breve nos agradecimentos.

Protestou, mas acabou por ceder ao meu pedido.

Sabe que eu troco essa honra pela ilusão de exercer a minha influência por mais uns tempos.

Eu sei que compreende e perdoa. 

Fico feliz.

Não tenho esse direito, e estou longe da perfeição, para além do mais…

sou esquisita.

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